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A.T. Jones (1850–1923)

Nome completo e datas

Alonzo Trevier Jones (26 de abril de 1850, Ohio, EUA – maio de 1923, Battle Creek, Michigan, EUA)

Vida inicial

Alonzo Trevier Jones nasceu em 26 de abril de 1850 no estado de Ohio, nos Estados Unidos. Pouco se sabe sobre sua infância e formação familiar. Aos vinte anos de idade, em 1870, alistou-se no Exército dos Estados Unidos, onde serviu como soldado raso até 1873.

Durante o serviço militar, Jones foi designado para um forte próximo a Walla Walla, no Território de Washington. J.N. Loughborough relatou as circunstâncias de sua conversão:

“Havia um forte e uma guarnição de soldados que podiam ser vistos da tenda, e ali estava Alonzo T. Jones, um rapaz de Ohio. Enquanto os outros soldados passavam seu tempo livre jogando cartas e em outros hábitos inúteis, Jones estudava livros de história. Quando a tenda estava sendo erguida, Jones e outros ficaram curiosos e pararam ali. ‘O que é isso? Um show?’, perguntaram. ‘Sim’, respondeu o Pr. Van Horn. ‘Entrem e eu direi a vocês o que vamos mostrar’. Ele desenrolou um gráfico profético e começou a falar dos símbolos da Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia etc., referindo-se a fatos históricos. Jones citou eventos adicionais à exposição do Pr. Van Horn, mostrando sua familiaridade com aqueles reinos antigos. Jones compareceu às reuniões, ouviu atentamente e depois se uniu aos adventistas do sétimo dia.”
— J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 110

Jones era em grande parte autodidata. Enquanto servia como soldado, dedicava-se ao estudo dia e noite, acumulando vasto conhecimento histórico e bíblico. Essa disciplina intelectual adquirida no exército seria a base de sua futura carreira como escritor, editor e pregador, tornando-o um dos mais prolíficos autores adventistas de sua geração.

Ministério e a mensagem de 1888

Após sua conversão, Jones rapidamente se tornou colaborador do Pastor I.D. Van Horn, o obreiro que o havia apresentado à mensagem adventista em Walla Walla. Juntos, passaram o verão seguinte realizando reuniões em tendas a leste de Portland, Oregon, marcando o início do ministério público de Jones. A parceria com Van Horn foi fundamental para seu desenvolvimento como pregador e estudioso das profecias bíblicas.

Após sua dispensa do exército, Jones iniciou seu ministério pastoral nos estados de Washington e Califórnia. Em 1885, já constava nas listas ministeriais da igreja e foi nomeado editor associado da revista Signs of the Times (Sinais dos Tempos), publicada em Oakland, Califórnia. A partir de maio de 1886, passou a dividir a direção editorial com Ellet Joseph Waggoner, permanecendo nessa função até maio de 1889. Em 1887, assumiu também a direção do periódico American Sentinel, dedicado à causa da liberdade religiosa.

O momento culminante de sua carreira ministerial veio na Assembleia da Associação Geral de 1888, realizada em Minneapolis, Minnesota. Nessa histórica reunião, Jones e Waggoner apresentaram uma poderosa mensagem sobre a justificação pela fé em Cristo — uma ênfase renovada na doutrina protestante fundamental da justiça pela fé. Essa mensagem encontrou forte oposição de parte da liderança da igreja, que temia uma mudança na ênfase teológica tradicional. No entanto, Ellen G. White posicionou-se firmemente ao lado de Jones e Waggoner, declarando que Deus abençoava o ministério deles e que a mensagem que pregavam estava em harmonia com a verdade bíblica.

Nos anos que se seguiram à assembleia de Minneapolis, Jones e Waggoner tornaram-se figuras de crescente destaque na obra adventista. Jones viajou extensamente, pregando a mensagem da justiça pela fé em igrejas e reuniões campais por todo o território norte-americano. Durante as décadas de 1880 e 1890, tornou-se amplamente reconhecido por sua defesa incansável da liberdade religiosa, testemunhando perante comitês do Senado dos Estados Unidos contra projetos de lei dominicais, como o Blair Sunday-Rest Bill, que buscava impor a observância do domingo por legislação federal.

Em outubro de 1897, Jones foi nomeado editor-chefe da Review and Herald, o principal periódico da Igreja Adventista, cargo que exerceu até maio de 1901, tendo Uriah Smith como editor associado. Nesse período, também serviu como pastor do Tabernáculo de Battle Creek. Em junho de 1901, foi eleito presidente da Associação da Califórnia.

Principais obras

A.T. Jones deixou uma considerável produção literária, incluindo:

  • The National Sunday Law (A Lei Nacional Dominical) — Panfleto de 192 páginas contendo seus argumentos apresentados perante o Comitê do Senado dos EUA contra a legislação dominical. Tornou-se um clássico da literatura adventista sobre liberdade religiosa e a separação entre Igreja e Estado.
  • The Great Empires of Prophecy, from Babylon to the Fall of Rome (Os Grandes Impérios da Profecia, de Babilônia à Queda de Roma) — Publicado em 1898 pela Review and Herald Publishing Company, Battle Creek, Michigan. Obra monumental que traça a história dos impérios mundiais à luz das profecias bíblicas.
  • Ecclesiastical Empire (Império Eclesiástico) — Publicado em 1901. Continuação da obra anterior, cobrindo a história do poder eclesiástico na Europa.
  • The Empires of the Bible, from the Confusion of Tongues to the Babylonian Captivity (Os Impérios da Bíblia, da Confusão das Línguas ao Cativeiro Babilônico) — Estudo histórico-bíblico dos impérios mencionados nas Escrituras.
  • Christian Patriotism (Patriotismo Cristão) — Publicado em 1900 pela Pacific Press Publishing Co., Oakland, Califórnia.
  • The Great Nations of To-day (As Grandes Nações de Hoje) — Análise das nações modernas à luz da profecia.
  • The Place of the Bible in Education (O Lugar da Bíblia na Educação) — Publicado em 1903 pela Pacific Press Publishing Company. Obra sobre o papel central das Escrituras no processo educacional.

Legado

A.T. Jones foi um dos mais importantes defensores da liberdade religiosa e da justificação pela fé na história da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Sua apresentação na Assembleia da Associação Geral de 1888, ao lado de E.J. Waggoner, é considerada um marco na compreensão adventista do evangelho, tendo recebido o endosso público de Ellen G. White. Sua obra The National Sunday Law permanece como um documento fundamental na defesa da separação entre Igreja e Estado e dos direitos de consciência religiosa.

Infelizmente, os últimos anos da vida de Jones foram marcados por dificuldades espirituais. A partir de 1903, aproximou-se do Dr. John Harvey Kellogg em Battle Creek, apesar dos repetidos apelos e advertências de Ellen White, que escreveu ter visto em visão que “fios sutis estavam sendo tecidos ao seu redor, até que ele estava sendo amarrado de mãos e pés”. Jones alinhou-se progressivamente com a oposição de Kellogg à liderança da igreja e aos testemunhos de Ellen White. Em meados de 1907, suas credenciais ministeriais foram retiradas. Na Assembleia da Associação Geral de 1909, após uma apelação do presidente A.G. Daniells para que se reconciliasse com a igreja, Jones recusou dramaticamente. Foi subsequentemente desligado da membresia da igreja. Mudou-se para Washington, D.C. em novembro de 1915, e faleceu em maio de 1923 em Battle Creek, Michigan, sendo sepultado em Kalamazoo, Michigan.

A trajetória de A.T. Jones serve como um poderoso lembrete de que mesmo os mais talentosos e abençoados servos de Deus precisam manter-se humildes e fiéis ao conselho divino. Ellen White escreveu sobre ele e Waggoner:

“É bem possível que os irmãos Jones ou Waggoner sejam vencidos pelas tentações do inimigo, mas caso tal venha a ocorrer, isso não seria prova de que eles não receberam uma mensagem de Deus, ou que a obra que fizeram foi um completo erro. Mas se isso viesse a acontecer, quantos tomariam essa posição e entrariam em um engano fatal, porque não estão sob o controle do Espírito de Deus. Esses caminham nas faíscas que eles mesmos acenderam, e não conseguem distinguir entre o fogo que acenderam e a luz que Deus tem dado, e andam em cegueira, como o fizeram os judeus.”
— Ellen G. White, The Ellen G. White 1888 Materials, p. 1044

Seu legado permanece vivo na mensagem que pregou — a mensagem eterna da justiça pela fé em Jesus Cristo.

Livros deste pioneiro

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