Ellet Joseph Waggoner (1855–1916)
Fonte: Lest We Forget: Inspiring Pioneer Stories, vol. 8, no. 2-3, p. 350-367. Adventist Pioneer Library. Colaborador principal: Fred Bischoff. ISBN 978-1-61455-103-4. Artigos de Richard Cooper e Richard Hammond.
Primeiros anos e formação
Ellet Joseph Waggoner nasceu em Wisconsin, em 12 de janeiro de 1855. Era o sexto filho de Joseph Harvey Waggoner e Margaretta Hall, que se casaram em 30 de abril de 1845. Ellet tinha quatro irmãos e cinco irmãs. Seu pai uniu-se à Igreja Adventista em 1852 e foi pregador e escritor ativo até sua morte em 1889.
Há poucas informações sobre os primeiros anos de Waggoner. Ele morou em Burlington, Michigan, por algum tempo. Estudou no Battle Creek College entre 1876 e 1878, e em seguida cursou medicina na prestigiosa Bellevue Medical College, em Nova York. Casou-se com uma colega de faculdade, Jessie Fremont Moser, e o casal teve duas filhas, Bessie e Pearl.
Após passar algum tempo em Battle Creek — onde trabalhou no Battle Creek Sanitarium —, a família mudou-se para a Califórnia por volta de 1880. Waggoner também serviu como diretor do St. Helena Sanitarium. Embora tivesse completado seus estudos médicos, ele demonstrava forte interesse pela pregação, possivelmente inspirado pelo exemplo de seu pai.
Uma experiência espiritual decisiva
Em 1882, durante uma reunião campestre em Healdsburg, Califórnia, Waggoner teve uma extraordinária experiência de conversão. Ele descreveu o momento com estas palavras:
“De repente, uma luz brilhou ao meu redor, e a tenda pareceu iluminada, como se o sol estivesse brilhando; eu vi Cristo crucificado por mim, e a mim foi revelado pela primeira vez na minha vida o fato de que Deus me amava, e que Cristo Se entregou por mim pessoalmente. Era tudo para mim. […] Eu acreditava que a Bíblia é a Palavra de Deus, escrita por homens santos que escreveram movidos pelo Espírito Santo, e eu sabia que essa luz que veio a mim era uma revelação direta do Céu; portanto, eu sabia que na Bíblia encontraria a mensagem do amor de Deus pelos pecadores individualmente, e resolvi que o restante da minha vida seria dedicado a encontrá-la ali, e torná-la clara para os outros.”
— E. J. Waggoner, “The Everlasting Covenant”, p. 5.
Ministério editorial e a controvérsia pré-1888
Em 1883, Waggoner foi chamado para auxiliar seu pai na edição do periódico Signs of the Times. Em 1884, conheceu Alonzo T. Jones, e os dois tornaram-se amigos para toda a vida, compartilhando uma profunda paixão pela justificação pela fé. Waggoner também lecionou aulas bíblicas no Healdsburg College e trabalhou na editora Pacific Press em Oakland, Califórnia.
Nos anos seguintes, Waggoner escreveu numerosos artigos no Signs of the Times tratando de temas como a lei e o evangelho, justificação e santificação, e o papel de Cristo na experiência cristã individual. Somente em 1886, ele publicou ao menos 33 artigos sobre justiça pela fé. Ele acreditava que a justificação por meio dos sofrimentos de Cristo era real, e que a vida perfeita de Cristo também foi vivida em nosso favor.
Waggoner defendia que a lei mencionada em Gálatas era a lei moral — posição diretamente oposta à de líderes da Conferência Geral como G. I. Butler e Uriah Smith. Em 10 de dezembro de 1886, o Comitê Teológico da Conferência Geral votou uma resolução determinando que nenhuma visão contrária às posições “sustentadas pela maioria de nosso povo” deveria ser publicada sem a aprovação de “irmãos de experiência”. Até fevereiro de 1887, Waggoner havia completado uma carta de 71 páginas endereçada a Butler e Smith, intitulada “The Gospel in the Book of Galatians: A Review”.
Ellen G. White escreveu tanto a Waggoner quanto a Butler e Smith, aconselhando ambos os lados a não tornarem públicas suas divergências. Quando Butler e Smith continuaram publicando material contra as posições de Waggoner, Ellen White escreveu que seria justo Waggoner ter a mesma oportunidade de apresentar seus argumentos.
A mensagem de 1888 e suas consequências
Em 1888, na sessão da Conferência Geral em Minneapolis, Minnesota, a questão chegou ao ápice. Jones e Waggoner apresentaram uma série de estudos sobre “Justiça pela fé”. Ellen G. White deu apoio irrestrito ao impulso espiritual de suas apresentações, descrevendo a mensagem como “a própria mensagem que o Senhor enviou ao Seu povo para este tempo”, “a mensagem que Deus ordenou que fosse dada ao mundo” e “a luz que deve iluminar toda a Terra com a sua glória”.
Quanto à conduta de Waggoner durante essas reuniões, Ellen White declarou que ele “se comportou como um cavalheiro cristão” e pediu que os que se opunham a ele fizessem o mesmo, apresentando seus argumentos de maneira direta e respeitosa.
Na Conferência Geral de 1889, Waggoner atuou como delegado geral. Além de seu interesse pela justificação pela fé, era também defensor da liberdade religiosa e compartilhava o zelo de A. T. Jones nessa área. Nesse mesmo ano, na Escola para Ministros, ele lecionou aulas de Bíblia, história da igreja e hebraico. Na Conferência Geral de 1891, apresentou uma série de 16 estudos bíblicos sobre o livro de Romanos, todos registrados no GC Bulletin. Em 1897, conduziu outra série de 19 estudos bíblicos na Conferência Geral, e em 1899 foi novamente convidado a apresentar estudos. Em 1899-1900, trabalhou com W. W. Prescott na condução de uma escola de treinamento.
Ministério na Inglaterra e anos finais
Após a Conferência Geral de 1891, Waggoner foi nomeado editor da publicação adventista na Inglaterra, The Present Truth, onde serviu até seu retorno definitivo aos Estados Unidos em 1903. Em 1897, representou a Inglaterra como delegado na Conferência Geral.
No entanto, durante a Conferência Geral de 1899 em South Lancaster, Massachusetts, Waggoner revelou a influência do panteísmo, associada às ideias do Dr. John Harvey Kellogg. Ellen White, escrevendo da Austrália, enviou uma mensagem aos delegados advertindo sobre ensinos panteístas — antes mesmo de saber que seriam apresentados naquela sessão. Posteriormente, em 1901, ela declarou: “Durante a Conferência Geral de 1901, o Senhor me advertiu contra sentimentos que eram então sustentados pelos irmãos Prescott e Waggoner.”
Antes de deixar a Inglaterra, Waggoner também se envolveu com a ideia de “afinidade espiritual”, sobre a qual Ellen White o advertiu diretamente: “Você tem sido representado a mim como estando em grande perigo. Satanás está em seu encalço, e por vezes ele tem sussurrado a você fábulas agradáveis, e lhe mostrado quadros encantadores de uma que ele representa como companheira mais adequada para você do que a esposa de sua juventude, a mãe de seus filhos.”
Após retornar aos Estados Unidos, Waggoner lecionou por um período no Emmanuel Missionary College (sucessor do Battle Creek College) em Berrien Springs, Michigan, mas permaneceu por apenas um semestre. Depois retornou a Battle Creek. De acordo com sua Confissão, escrita no dia de sua morte, ele começou a questionar já em 1891 algumas posições da igreja sobre o santuário e o juízo investigativo. Waggoner faleceu de um ataque cardíaco no final de maio de 1916, aos 61 anos de idade.
Principais obras e contribuições
- Numerosos artigos no Signs of the Times sobre justiça pela fé (ao menos 33 somente em 1886)
- “The Gospel in the Book of Galatians: A Review” — carta de 71 páginas a Butler e Smith (1887)
- “The Everlasting Covenant”
- Série de estudos bíblicos sobre Romanos na Conferência Geral de 1891 (16 estudos, publicados no GC Bulletin)
- Série de 19 estudos bíblicos na Conferência Geral de 1897
- Trabalho editorial no The Present Truth (Inglaterra, 1891–1903)
- Defesa da liberdade religiosa, inclusive na oposição ao Blair Sunday Bill
Legado
A mensagem de justiça pela fé apresentada por Waggoner e A. T. Jones em 1888 e nos meses seguintes trouxe alegria e liberdade em Cristo para a Igreja Adventista. Ellen G. White repetidamente endossou essa mensagem ao longo da década seguinte. Como observou Richard Hammond: “Essa mensagem, Cristo Nossa Justiça, nunca perderá o seu poder, e merece renovação diária na experiência de cada discípulo que professa a fé.”
Ao mesmo tempo, a trajetória de Waggoner serve como advertência solene. Sua história demonstra que, nas palavras de Ellen White escritas em 1892: “É bem possível que Jones e Waggoner sejam vencidos pelas tentações do inimigo; mas se isso acontecesse, não provaria que não tiveram nenhuma mensagem de Deus, ou que a obra que realizaram foi toda um erro.” O isolamento causado pela rejeição da mensagem por parte de muitos líderes deixou seus mensageiros particularmente vulneráveis a conceitos que não faziam parte da providência divina.
Referência: Lest We Forget: Inspiring Pioneer Stories, vol. 8, no. 2-3, p. 350-367. Adventist Pioneer Library. ISBN 978-1-61455-103-4.