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John Norton Loughborough (1832-1924)

Primeiro historiador adventista, testemunha fiel e evangelista pioneiro

Vida Inicial

John Norton Loughborough nasceu em 26 de janeiro de 1832, em Victor, Nova York. Seu pai era um sincero pregador metodista local que faleceu sete anos após o nascimento de John, deixando a família na pobreza. John foi então cuidado por seu piedoso avô, que sempre fazia culto matutino e vespertino. Uma impressão vívida da infância deixada na mente do jovem Loughborough foi ver seu avô em várias ocasiões levantando-se da oração com o rosto banhado em lágrimas, sob um senso da presença de Deus. Seu avô passava uma hora em estudo bíblico particular e oração, de manhã e à noite. “Johnny”, como era chamado quando menino, frequentemente ouvia seu avô orando por ele pelo nome.

A família respondeu à mensagem adventista quando foi pregada no inverno de 1843-1844. O jovem Loughborough tinha 12 anos na época do Grande Desapontamento.

John frequentou uma boa escola distrital enquanto morava com o avô. Aos 15 anos, foi morar com seu irmão para aprender o ofício de fabricação de carruagens. Após sete meses, seu irmão fechou a oficina, o que encerrou seu aprendizado e lhe permitiu frequentar uma escola avançada local.

Infância Marcada pela Fé e Pela Perda

Em sua autobiografia, Loughborough relata suas primeiras memórias com ternura. Aos três anos, fez sua primeira “apresentação pública” numa escola infantil realizada na Igreja Metodista. Quando as pessoas aplaudiram, o menino não entendeu o motivo: “Quando as pessoas bateram palmas, eu não sabia que isso tinha relação comigo, então pensei que aquela fosse a parte delas na reunião.” (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 9)

Desde cedo, Loughborough demonstrava generosidade. Quando seu tio lhe pagou uma moeda de seis pences por mover uma pilha de pedras, o menino decidiu doar o dinheiro para comprar um Novo Testamento para a missão metodista na África. Na loja, o comerciante tentou seduzi-lo com produtos atraentes, mas Johnny resistiu: “Então pensei nos pobres pagãos e saí correndo da loja. Corri para a casa do pastor justamente quando as pessoas estavam se reunindo e entreguei-lhe os seis pences, dizendo: ‘Quero enviar um Novo Testamento para os pobres pagãos’.” (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 10)

O falecimento do pai, em setembro de 1839, marcou profundamente o menino de sete anos. Seu pai, apesar de vigoroso e com apenas 35 anos, sucumbiu à febre tifoide, agravada pelos tratamentos médicos da época — sangria e calomelano. “Como eu amava o meu pai! Quando o vi enterrado no chão frio, comecei a ter consciência de que não poderia vê-lo mais.” (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 12) O funeral contou com cerca de 2.000 pessoas. Com o coração triste, o menino foi morar com o avô Nathan Loughborough, líder de classe metodista.

Uma recordação curiosa da infância mostra a inocência do jovem John. Ao ouvir um pastor dizer que os santos no céu se sentariam à beira de uma nuvem para cantar salmos eternamente, ele passou horas observando as nuvens do verão: “Imaginei que algumas daquelas nuvens lindas, brilhantes e felpudas do verão, empilhadas como fardos da mais pura lã, pareciam tão gloriosas porque os santos estavam nelas. Por muitas horas, fiquei sentado observando essas nuvens e imaginando se poderia ouvi-los cantar.” (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 12)

O Avô Nathan: Um Exemplo de Paciência Cristã

Loughborough dedicou páginas carinhosas ao avô paterno, cuja vida exemplar moldou seu caráter. Nathan Loughborough sofria constante perseguição dos vizinhos universalistas: derrubavam suas cercas, soltavam gado em seus campos e chegaram a roubar os galhos carregados de cerejas de suas árvores. Mas o avô nunca reclamava — apenas orava por seus inimigos. “Meu avô não disse nada, mas orou por seus inimigos”, relata Loughborough. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 13)

A paciência do avô foi recompensada de forma providencial. Certa vez, os perseguidores cortaram seu campo de trigo de dez acres enquanto a família estava na reunião de domingo, esperando prejudicá-lo com a colheita prematura. Não sabiam que Nathan já planejara colher cedo naquele ano. “Com um sorriso, meu avô disse: ‘Bem, acho que o diabo passou dos limites desta vez’.” O trigo dele acabou sendo o melhor da vizinhança, e a oposição cessou por completo. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 14)

A Mensagem Adventista Chega a Victor (1843)

No inverno de 1843, a pequena cidade de Victor, com apenas 300 habitantes, foi agitada pela pregação adventista. A Igreja Metodista, com capacidade para 1.000 pessoas sentadas, ficava lotada todas as noites. Loughborough relembra a cena de uma dessas reuniões com o Pr. Barry, quando um hino peculiar foi cantado em forma de diálogo: de um canto da sala, uma voz clara cantava “Hey você, de onde você vem?”, e do canto oposto vinha a resposta: “Estou vindo da terra do Egito”. “Por mais simples que fossem essas palavras, o poder de Deus encheu o lugar, e as pessoas foram às lágrimas.” (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 16)

O menino John, com menos de doze anos, foi à frente para orar, desejando estar pronto para o Senhor. Mas saiu decepcionado quando alguém lhe disse apenas: “Bem, Johnnie, fico feliz que você tenha decidido ser um bom garoto”. Ele ansiava por alguém que o ajudasse a encontrar perdão, não por elogios superficiais. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 17)

Conversão e Chamado ao Ministério

Em maio de 1848, Loughborough ouviu um sermão adventista comovente e ficou convencido de que era pecador. Após uma luta temerosa em sua mente para decidir entre seguir a Deus completamente e perseguir ambições mundanas, entregou seu coração ao Senhor. Deixou a escola avançada e empregou-se como aprendiz em uma ferraria para aprender a trabalhar com ferro para carruagens. Em seu tempo livre, estudava a Bíblia e orava. O trabalho na ferraria e o ferramento de cavalos do canal era muito cansativo para alguém de estatura tão pequena. Essas dificuldades, combinadas com a malária, forçaram-no a parar com a ferraria e partir para a pregação.

Loughborough relata que durante os meses de malária, com calafrios cada vez mais frequentes, sentiu-se solenemente impressionado de que deveria sair e pregar, mas resistia, pensando que um rapaz de dezesseis anos era jovem demais. As impressões divinas, porém, eram insistentes: “Quando vinha o calafrio, eu era vividamente impressionado a sair e pregar, e o calafrio cessava.” Quando os calafrios passaram a ocorrer duas vezes por dia, ele finalmente rendeu-se: “Senhor, acabe com esses calafrios e com a febre e eu sairei para pregar assim que tiver força suficiente para isso.” Os calafrios cessaram naquele mesmo dia. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 20)

Com um dólar no bolso, roupas doadas que não serviam e uma oração no coração, John partiu para pregar sobre o Salvador que em breve voltaria e que significava tanto para ele. Seu irmão deu-lhe cinco dólares em folhetos para vender, e um amigo adventista deu-lhe três dólares para ajudá-lo no caminho. Na noite de 2 de janeiro de 1849, deu seu primeiro discurso em uma igreja batista. Tinha não completamente 17 anos de idade. A casa estava cheia e John tratou de seu assunto com facilidade e clareza. Assim começou uma carreira de pregação que durou setenta anos.

O Pregador Adolescente: Primeiras Aventuras no Ministério

A descrição que Loughborough faz de sua entrada no ministério revela uma mistura tocante de fé e vulnerabilidade. Suas roupas eram um retrato cômico: um colete e calça emprestados de um homem muito mais alto (cortou 18 cm da calça), e como substituto de um paletó, um sobretudo com duas fileiras de botões cuja parte inferior fora cortada. Quando a família que o hospedou pediu que tirasse o sobretudo, ele teve que confessar: “Tive que dizer a eles que era o único casaco que eu tinha.” (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 21)

O jovem pregador enfrentou logo a oposição de pastores estabelecidos. Em Kendall Corners, um pastor batista desafiou-o publicamente, dizendo aos vizinhos: “Chame aquele garoto para vir aqui e eu vou acabar com ele em dois minutos.” Mas quando confrontado diretamente, Loughborough respondeu com textos bíblicos e o pastor acabou ficando sem argumentos. Depois de uma hora e meia de diálogo, Loughborough relatou que o pastor batista saiu da sala derrubando tudo pelo caminho, e os vizinhos ficaram impressionados com as respostas do jovem. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 22-23)

Na manhã seguinte ao seu primeiro sermão, Loughborough soube que havia sete pastores presentes na plateia. “Na noite seguinte, o local estava lotado novamente. Suponho que o que os atraiu foi a curiosidade de ouvir um rapaz sem barba pregar, pois eu não tinha nem dezessete anos.” (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 21)

O Sonho que Mudou Sua Vida

Por um tempo, John trabalhou na oficina de carruagens de seu irmão durante o verão e pregava no inverno. Por três anos e meio, pintou casas cinco ou seis dias por semana para se sustentar e pregava aos domingos. Casou-se com sua primeira esposa, Mary, em 1851.

Um domingo, em Rochester, Nova York, assistiu a uma reunião adventista onde J. B. Cook, falando sobre a questão do sábado, atacou o Sr. e a Sra. James White. Loughborough nunca ouvira falar dessas pessoas e foi levado a investigar suas crenças. Naquela noite, teve um sonho marcante.

Ele sonhou que estava numa reunião adventista. Seus companheiros de trabalho estavam numa sala sombria, mal ventilada, mal iluminada e suja. Confusão e desânimo reinavam. Uma porta abria-se para uma sala maior, bem ventilada, iluminada, limpa e convidativa. Um quadro estava pendurado na parede, e um homem alto estava ao lado dele explicando o santuário e outras questões que Loughborough vinha estudando. Loughborough levantou-se, dizendo: “Vou sair daqui. Vou para aquela outra sala.” Seus irmãos tentaram impedi-lo. Quando as súplicas não adiantaram, começaram a ameaçá-lo e a amontoar abusos e ridículo sobre ele.

Aceitação do Sábado

Em 25 e 26 de setembro de 1852, os guardadores do sábado realizaram uma conferência em Rochester. Loughborough selecionou textos com os quais pretendia provar que a lei havia sido abolida e foi à reunião. Olhando ao redor da sala, viu o mesmo quadro que tinha visto em seu sonho. De pé ao lado do quadro estava J. N. Andrews, o homem de seu sonho.

Andrews, de maneira calma e solene, começou a examinar as Escrituras que supostamente ensinam que a lei foi abolida. Ele tomou os textos idênticos que Loughborough havia selecionado e refutou tão completamente os argumentos que Loughborough ficou sem nada a dizer. Em outubro de 1852, após três semanas de estudo cuidadoso e em oração, tomou publicamente sua posição pelo sábado.

No primeiro sábado que guardou, Loughborough foi apresentado a Ellen e James White. A Sra. White teve uma visão naquele sábado que durou uma hora e 20 minutos. Ao final da visão, ela disse a Loughborough algumas coisas sobre ele mesmo que nunca havia contado a ninguém. Durante todo o resto de sua vida, Loughborough foi um firme crente no Espírito de Profecia.

Início do Ministério em Tempo Integral

Após aceitar o sábado, Loughborough sentiu convicção de entrar no ministério da Palavra em tempo integral. Tentou evadir-se da convicção lançando-se totalmente em seus negócios e apoiando a causa com seus ganhos. Onde antes tinha boas vendas, após essa decisão não conseguia fazer vendas suficientes para cobrir suas despesas de viagem. Logo gastou todas as suas economias.

Por volta de meados de dezembro, Loughborough tinha apenas uma moeda de três centavos. Assistiu às reuniões de sábado muito desanimado. A Sra. White entrou em visão. Ao sair da visão, disse-lhe que a razão de sua nuvem de desânimo era que ele estava resistindo ao chamado de Deus. Após oração fervorosa, decidiu que se o Senhor abrisse o caminho, iria pregar. A paz veio a ele após essa decisão.

Hiram Edson, que morava a cerca de 40 milhas de Rochester, foi impressionado a ir a Rochester. James White disse: “Queremos que você leve o irmão Loughborough com meu cavalo, Old Charley, e a carruagem e o leve por seu campo no sudoeste de Nova York e Pensilvânia.” Assim começou o trabalho que Loughborough fez pela Igreja Adventista do Sétimo Dia por quase três quartos de século.

Viagens Missionárias pelo Interior dos Estados Unidos

A partir de 1853, Loughborough lançou-se ao trabalho itinerante que definiria sua vida. Em companhia de M.E. Cornell, viajou por Michigan, Wisconsin e Illinois, enfrentando condições primitivas e perigos constantes. Ele descreve uma viagem de charrete com Cornell até Wisconsin, onde encontraram J.H. Waggoner, ex-editor de jornal que aceitara a verdade do sábado e começara a pregar. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 37-38)

Em uma dessas viagens, Loughborough e Cornell encontraram um grupo de guardadores do sábado que já os esperava, pois haviam lido sobre eles na Review and Herald. O líder daquela congregação, o Pr. Phelps, ao ouvir Cornell perguntar se “a justiça que torna um homem justo” já havia passado por aquela terra, respondeu com entusiasmo: “Sim! Há alguns dentre nós que estão tentando guardar todos os mandamentos de Deus. Vocês não são os irmãos do leste que estão vindo para Wisconsin, como lemos na Review?” (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 37)

As Primeiras Reuniões em Tendas

Loughborough participou das primeiras reuniões em tendas realizadas pelos adventistas do sétimo dia — um método evangelístico que se tornaria marca registrada da denominação. Em Michigan, ele e Cornell armaram tendas e realizaram séries de evangelismo em cidades e vilarejos, atraindo grandes multidões curiosas. A oposição era frequente, mas também os resultados. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 55)

Papel na Organização da Igreja

Loughborough foi figura central no processo de organização da Igreja Adventista do Sétimo Dia na década de 1860. Quando Tiago White propôs que a igreja se organizasse formalmente para poder manter propriedades de forma legal, Loughborough apoiou publicamente a ideia, escrevendo na Review and Herald: “O que entendo ser necessário para remediar todos os problemas com relação a essa questão é organizar-nos de tal forma que possamos manter a propriedade legalmente… Se não é errado possuir fazendas e terrenos nas vilas de maneira legal, também não é errado possuir a propriedade da igreja da mesma maneira.” A proposta enfrentou forte resistência de irmãos que os acusaram de “ir para Babilônia” e “unir a Igreja e o Estado”, mas prevaleceu. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 71-72)

A Rebelião de Marion e a Crise de Fé

Um dos episódios mais dramáticos que Loughborough vivenciou foi a chamada “Rebelião de Marion”, em Iowa, quando um grupo liderado por B.F. Snook e W.H. Brinkerhoff se opôs à liderança da igreja e ao dom profético de Ellen White. Loughborough trabalhou para conter a rebelião e fortalecer os fiéis, testemunhando em primeira mão os estragos que a divisão causa numa comunidade de fé. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 81)

Califórnia: Pioneirismo Perigoso

Pouco antes de comparecer à sessão da Associação Geral em Battle Creek, Michigan, em 1868, Loughborough teve vinte sonhos sobre trabalhar na Califórnia. James White perguntou se alguém se sentia impressionado a ir para a Califórnia. Loughborough ofereceu-se. D. T. Bourdeau também se levantou e disse que ele e a Sra. Bourdeau haviam vendido todos os seus bens terrenos antes de virem à Conferência Geral, impressionados de que o Senhor os enviaria a algum lugar distante.

Na Califórnia, Loughborough enfrentou não apenas dificuldades logísticas, mas perigos físicos reais. Em Petaluma e na região de Sonoma, atraiu multidões com uma tenda de 18 metros, mas a oposição era feroz. Em um episódio tenso na escola de Monroe, o Sr. Morton jurou que Loughborough não entraria: “Loughborough não entrará aqui hoje!” Mas quando Morton entrou no prédio e encontrou o pregador já instalado, seus próprios vizinhos o repreenderam por tentar impedir a reunião. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 93-94)

Um dos relatos mais tocantes do trabalho na Califórnia envolve o batismo de uma mulher inválida em Santa Rosa. Ela pediu para ser batizada mesmo sem poder andar: “Eu também quero ser batizada. O Senhor, que ouviu minhas orações e perdoou meus pecados, me dará forças para ser batizada.” Loughborough e Bourdeau a carregaram em uma cadeira até a água. “Quando a levantamos da água, ela gritou: ‘Glória!’, seu rosto radiante com a luz do céu. Ela então caminhou até a carroça e entrou sem ajuda.” No sábado seguinte, ela apareceu na reunião, sentou-se em assentos de tábua dura durante todo o culto e voltou para a reunião da noite — para espanto de todos. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 92)

Novamente com a Família White

Após anos de trabalho na Califórnia, Loughborough teve o privilégio de trabalhar novamente de perto com Tiago e Ellen White. Nesse período, ele presenciou diversos testemunhos marcantes. Ellen White repetidamente manifestava, em visão, conhecimento de circunstâncias que não poderia saber naturalmente — experiência que confirmou ao longo de toda a vida a confiança de Loughborough no dom profético. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 105)

Chamado para a Inglaterra e a Europa

Loughborough trabalhou na Califórnia por dez anos, antes de aceitar um chamado para a Europa em 1878. A preparação para essa mudança veio com uma experiência espiritual marcante. Em um sábado à tarde, ele e Tiago White subiram uma montanha na Califórnia para orar. Ali, Loughborough recebeu uma impressão clara: “Venda sua casa em Santa Rosa, mas não compre em outro lugar. Seu trabalho será aqui e ali, portanto você não deve ficar preso a um só lugar.” Imediatamente colocou a casa à venda e em duas semanas recebeu o valor desejado. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 117)

O chamado para a Inglaterra veio por meio de Ellen White, que havia dito anos antes: “Se o Pr. Loughborough for fiel, seu trabalho ainda será necessário na Inglaterra.” Loughborough ficou sabendo dessa declaração somente através do Pr. Cornell, anos depois. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 117)

Na Europa, Loughborough trabalhou na Inglaterra e no continente, estabelecendo congregações e promovendo a mensagem adventista em território até então inexplorado. A autobiografia relata seus sonhos sobre a Europa e como eles se tornaram realidade à medida que o trabalho avançou. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 125)

Testemunha Fiel — Historiador da Igreja

A contribuição final de Loughborough na vida é melhor descrita como “testemunha fiel”. Seu testemunho verbal e escrito sobre a liderança de Deus no estabelecimento da Igreja ASD é inestimável. Em 1878, Ellen White lhe disse: “Você tem uma experiência valiosa para a causa de Deus. Ela deve ser utilizada em todo o seu valor.

Em 1890, na sombra da rebelião de 1888, Ellen White escreveu ao presidente da Associação Geral, pastor O. A. Olsen: “A influência do pastor Loughborough é valiosa em nossas igrejas. Exatamente esse tipo de homem é necessário, alguém que permaneceu firmemente pela luz que Deus deu ao Seu povo…. Que o pastor Loughborough permaneça em seu devido lugar, como um Caleb, vindo à frente e dando um testemunho decidido diante da incredulidade, dúvidas e ceticismo.”

Pouco depois, foi convidado pela comissão da Associação Geral a escrever Rise and Progress of the Third Angel’s Message (Surgimento e Progresso da Mensagem do Terceiro Anjo). O livro foi publicado em 1892. Em 1903, Ellen White escreveu a G. I. Butler: “O registro da experiência pela qual o povo de Deus passou na história primitiva de nossa obra deve ser republicado…. O livro do pastor Loughborough deve receber atenção.”

Um Homem de Muitos Talentos

A autobiografia de Loughborough revela um homem de curiosidade incansável e habilidades manuais notáveis. Ainda jovem, construiu seu próprio violino a partir de uma tábua de faia — “moldando o bojo do instrumento a partir de uma tábua de faia” — que um médico local comprou por um bom preço, pois era “uma cópia fiel daqueles vendidos nas lojas de música”. Também construiu uma máquina elétrica com cilindro de vidro, uma jarra de Leyden e uma bateria galvânica de cobre e zinco, o que lhe rendeu o apelido de “o filósofo” e até encomendas para tratamentos elétricos em pacientes paralíticos. (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 13)

Últimos Anos e Legado

Aos 76 anos, em 1908, Loughborough viajou ao redor do mundo, 30.000 milhas por água e 60.000 milhas por terra, visitando os principais centros de trabalho da igreja adventista. Esta foi sua última viagem missionária na causa do Senhor que tanto amava.

Seus últimos anos foram passados primeiro na casa de sua filha em Lodi, Califórnia, até ela e seu marido serem chamados para Washington, D.C. Devido à saúde debilitada, o pastor Loughborough passou seus últimos anos no Sanatório de St. Helena, onde pacificamente faleceu em 7 de abril de 1924, aos 92 anos de idade.

No prefácio de Milagres em Minha Vida, o compilador Adriel D. Chilson resume a vida de Loughborough: “Em 1852, John N. Loughborough, que não tinha uma aparência impressionante e era de constituição física franzina, começou uma série de evangelismo, proclamando a mensagem adventista do sétimo dia. Sem se deixar abalar pelas nevascas e pelo frio intenso, ele viajou de charrete e trenó por extensas pradarias e tortuosas trilhas de floresta na região central dos Estados Unidos.” (J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida, p. 7)

Provérbios 10:7, “A memória do justo é abençoada”, é um versículo que verdadeiramente descreve a vida e as experiências de John Norton Loughborough. Ele permaneceu fiel à sua comissão. Por voz e pena, fez o que pôde para confirmar a fé do povo remanescente de Deus em Sua liderança.

Linha do Tempo

  • 1832 — Nascimento em Victor, Nova York
  • 1839 — Falecimento do pai
  • 1843 — Família aceita a mensagem adventista
  • 1844 — Grande Desapontamento (Loughborough tinha 12 anos)
  • 1848 — Conversão e batismo
  • 1849 — Primeiro sermão (aos 16 anos), em 2 de janeiro
  • 1851 — Casamento com Mary
  • 1852 — Aceitação do sábado; encontro com Ellen e James White; conferência em Rochester
  • 1853 — Início do ministério em tempo integral; viagens missionárias por Michigan, Wisconsin e Illinois
  • 1860 — Participação ativa no processo de organização da Igreja
  • 1868 — Enviado à Califórnia com D.T. Bourdeau
  • 1878 — Chamado para a Europa (Inglaterra)
  • 1892 — Publicação de Rise and Progress of the Third Angel’s Message
  • 1908 — Viagem ao redor do mundo
  • 1924 — Falecimento no Sanatório de St. Helena, aos 92 anos

Fontes

Biografia baseada em:

  • J.N. Loughborough, Milagres em Minha Vida (tradução de Miracles in My Life), Adventist Pioneer Library / Editora dos Pioneiros Adventistas, 2025. ISBN 978-1-61455-172-0. Tradução: Kelly Azevedo. Revisão: Uriel Vidal.
  • Lest We Forget: Inspiring Pioneer Stories, publicado pela Adventist Pioneer Library (contribuidor principal: Fred Bischoff), ISBN 978-1-61455-103-4.
  • Lest We Forget, vol. 6, n. 4, pp. 278-297 — “Faithful Eyewitness” por Dr. Fred Bischoff; “J. N. Loughborough: How a Dream Changed His Life” por Dr. Ray Foster.

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